sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Evoluímos?

   Há tempos que não escrevo... fases da vida.  Acho que nem sempre é fácil transformar em palavras aquilo que vivemos ou sentimos. Bem...

  Viajei este final de semana para Paraty, para relaxar um pouco depois de um período muito estressante de trabalho. Estava tomando café da manhã na pousada, olho pela janela e vejo um sagui na árvore. Eu fiz um escândalo e tive que sair pra ver. Era uma família, o pai deu um grito e o dono da pousada já veio com uma banana, a mãe e o filhote comeram e depois o pai. E todos os dias foram assim, eu acordava, ouvia o gritinho e já abria a janela do quarto para ver a família. Um dos dias, eu que os alimentei. Momento ímpar.

  Seu Pedro, dono da pousada, contou que no começo era só o machinho, se acostumou a comer banana na mão dele. Depois ele trouxe a fêmea e passando o tempo, perceberam ela ficar barrigudinha. Viu a mãe dar bronca no bebê quando ele quis comer banana também, ela o puxou para o peito, ainda era tempo de mamar. Hoje os três comem, mas o pai só pode comer depois do filhote, a mãe bate nele caso ele tente comer antes. 

  Ele nos contou que passam vários animais silvestres por ali, e um pássaro muito bonito e colorido sempre ficava ali, nas árvores da pousada. Seu Pedro começou a oferecer comida e após um tempo, o pássaro já comia na mão dele.  Um dia um menino da rua viu, no outro dia ofereceu comida, o pássaro veio e o menino o matou.

   Seu Pedro contou várias histórias, de grupos capturando micos leões, pássaros...

  Ao voltar de viagem fui me informar das notícias, lá a internet não era boa, e noto um alvoroço sobre a crise migratória síria, fui checar. Impossível não chorar com as imagens. Chorei muito. E neste momento lembrei da pousada, dos saguis. Não é natural isto. O ser humano perdeu seu lado animal.

   Estudamos, conquistamos e no decorrer da nossa evolução, deixamos de ser animais?

   Lembro de um vídeo, onde uma onça (ou outro felino parecido) mata um macaco para se alimentar e quando vai comer, nota um filhote nas suas costas, bem pequeno. A onça fica uns minutos sem saber o que fazer, pega o filhote com muito cuidado e sobe na árvore com ele, tentando cuidar, aconchegar. Isto é o mundo animal. Mata-se para comer, preserva-se a natureza, cuida-se de filhotes, sejam seus ou não.

   Recordo também da história de uma senhora que oferecia comida para cachorros de rua e um deles que comia só um pouco, fechava a sacola de comida com a boca e carregava a comida. Certo dia a mulher seguia o cachorro e descobriu que ele levava a comida para os irmãos de coração. A família dele tinha um ferro velho e passava muita necessidade, às vezes não tinha comida para dar aos animais que viviam soltos pelo quintal. O cachorro então chegava e soltava a sacola com comida para os outros cachorros, gatos e galinhas no quintal. É de se admirar? Não. É de se emocionar!

   Que momento que vivemos onde não temos mais isto? É isto a evolução, será isto a seleção natural? Sobrevivem os mais espertos, mais poderosos. Os leões matam filhotes de outros machos com intuito de ter seus próprios, isto mostra o egoísmo no reino animal, mas com nossa capacidade intelectual, matar ou deixar morrer, hoje, não seria estúpido, antinatural? Ou não? Seria isto o novo “disseminar seus genes”? É possível que isto seja o caminho da evolução, as disputas se modernizando, as brigas de território modernas, os problemas modernos. É possível que isto seja o novo natural.

   Infelizmente ou felizmente, não consigo aceitar isto. Costumo falar aos meus alunos que eu vivo numa sociedade. Sei que algumas pessoas me acham boba, mas eu gosto deste lado que considero animal em mim.

   Eu ainda me surpreendo quando vejo pessoas desejarem ter filhos e se recusarem a adotar, com a ideia de que uma pessoa que mora nas ruas não merece ajuda porque está bêbada, com a cultura da ostentação.

   Eu achei que não ia suportar ver a imagem da criança, mas olhei mesmo assim. Dói, mas é o tipo de dor que devemos sentir e não negar que existe. E me surpreendi mais uma vez com o ser humano. 

   Evoluímos?






quarta-feira, 29 de abril de 2015

Lição de Vida

   Algumas experiências nos mudam para sempre! Coleciono algumas, mas ver meu pai ir embora foi a mais marcante!

   Os meses passando, as quimios, crises, ele emagrecendo e perdendo suas roupas, minha revolta, minhas brigas com Deus, minha tese de doutorado neste meio tempo, as crises da minha mãe, as internações e a aceitação...

   Eu mudei, não há como não mudar... eu realmente aprendi a amar e cuidar, aprendi o real valor da vida e me desapeguei de coisas. Eu e Deus fizemos as pazes, ele me perdoou (espero!).


   E uma lição eu carrego comigo, sempre em meus pensamentos, quando algo me aflige, me tira do sério, eu acho que não vou desapegar da raiva, do medo, do amor, eu lembro: meu pai teve que abrir mão da nossa companhia, ele se despediu da vida, pacificamente, tranquilamente, nada deve ser mais difícil do que isto.

   Aprendi o que é amor, mas junto com isto, há uma ferida que embora escondida, nunca cicatriza.
É a vida!