domingo, 13 de julho de 2008

Lugar

E eu não sairei daqui

Não moverei meus braços

Não tirarei um fio do cabelo do lugar.

Trabalhem, chorem, cantem

Vai tempo, passa

E me deixa aqui

Pra sempre!

Eu não sairei daqui

Não comerei uma uva

Não lerei um livro

Roubem, sorriam, vivam

Vai tempo, pare

Pois eu não sairei daqui

Dos seus braços,

Nunca mais!

domingo, 6 de julho de 2008

Rótulos

Por que confiamos no caráter de uma pessoa religiosa? O que temos de mal a falar de um agnóstico ou até mesmo ateu? O que nos faz julgar uma pessoa boa e outra de forma duvidosa? Acho que a resposta não é tão simples e mais, não é geral.

Quando conheci minha atual vizinha, ela me contou sobre seus filhos, um deles estava noivo e ia se casar logo, “porque ele é muito religioso e respeita a família da noiva”. E uma pessoa não religiosa não é capaz de respeitar? E namorar sem intenções de casar logo é falta de respeito? Claro, sei que existem “outras coisas” em jogo, mas quem ama também respeita, espera, confia, independentemente de crença.

Calma, isto não é um “Atirem os religiosos aos leões”, de novo. Eu acredito em Deus, melhor, eu desejo que ele exista! Só estou refletindo em voz alta, ou melhor... escrevendo minhas reflexões...

Comecei a pensar sobre isto recentemente... Convivo com muitos agnósticos e sempre reclamei disto aos meus amigos. Eu sempre gostei de ter amigos tementes a Deus, pessoas que dizem “Estou bem, graças a Deus” e “Deus te abençoe”; mais que isto, sempre escolhi meus amigos baseados em sua religiosidade, não importando qual a religião.

O fato é que algumas dessas pessoas me decepcionaram...

Como alguém que diz ser Deus o que há de mais importante em sua vida, que lê muitos livros religiosos, que vive na igreja, consegue trair seu melhor amigo? Uma vez esta pessoa me viu chorando, segurou minha mão e disse pra eu entregar meus problemas na mão de Deus. Achei tão querido da parte dela, ganhou minha confiança. E agora faz isto com seu melhor amigo? Alguém que sempre lhe estendeu a mão, deu colo, enxugou lágrima. As pessoas são boas e más, eu sei disto. Mas, ingenuidade minha, as religiosas não deveriam ser assim, as cristãs não deveriam ser assim.

Depois disto, comecei a notar o comportamento dos religiosos e compará-los aos agnósticos.

Vejo muito cristão de coração duro, alguns se acham Deuses e pensam capazes de julgar a todos. Apontam facilmente o erro dos outros e esquecem que humildade foi umas das coisas que Cristo ensinou. Fácil falar bonito, decorar a bíblia, freqüentar a igreja, mas e saber perdoar? Se colocar no lugar dos outros e ter paciência com o tempo de cada um, ter caridade?

Sabe, o mundo está cheio de hipócritas...

Mas os ateus não são! Eles são honestos consigo mesmos e com a sociedade, não se escondem em rótulos, mas infelizmente são mal rotulados. Seja sincero, quando conhece um ateu, você não o olha diferente? Eu já olhei!

Uma vez, meu melhor amigo – ateu, diga-se de passagem – me disse que ser ateu e não acreditar em nada após a morte, nem céu, nem inferno, lhe deu mais paciência com o mundo, com as pessoas. Não ter um Deus para julgar lhe conferiu mais responsabilidade em suas ações. Ele aprendeu que não estamos aqui a passeio e acha que devemos aproveitar bem a vida. Claro, não “curtir a vida a doidado”, e sim tirar tudo de bom que ela tem a oferecer, aprender o máximo, dar o máximo, pois tudo acaba. Sem exageros, ele é uma pessoa muito honesta, séria, de coração bom. Não seria meu melhor amigo se não fosse tudo isto!!! E é ateu. E daí? Isto não lhe faz uma pessoa inferior a ninguém, aliás, lhe faz uma pessoa melhor, a cada dia.

Penso então, eu com meus botões, se Deus realmente existir, não seria mais fácil a Ele perdoar os descrentes do que os aparentemente crentes? As ações não contam? O que realmente importa?


Somos diferentes, então não há caso geral, muitos ateus podem ser pessoas terríveis e muitos cristãos podem ter o coração de pedra, só acho importante não rotular as pessoas por isto!

Sem preconceitos, sem rótulos, sem hipocrisia, de agora em diante!