terça-feira, 3 de janeiro de 2017

O mal não deve ser comentado em tempo algum

     As pessoas costumam falar que o mal não deve ser comentado em tempo algum como uma forma de serem otimistas, como um encorajamento. Eu já ouvi isso diversas vezes no decorrer da vida, e a explicação que sempre ouvi foi que falar coisas ruins, comentar estes acontecimentos faz permanecer este mal, como se desse poder a ele, uma certa audiência. Já ouvi também que ficar comentando o mal é pessimismo, é chato, afasta as pessoas, é falta de fé. Existem muitas justificativas para não se falar sobre o mal.

     Eu acho que o mal deve ser comentado sempre, ele deve ser comentado, explorado, esmiuçado, banalizado, vulgarizado e desgastado.

    O mal existe no mundo, as pessoas o vivenciam em multifaces, espaços e momentos. Quem experimenta o mal conhece dor, não sofrimento apenas, eu digo dor. A dor é uma coisa que modifica profundamente uma pessoa, para o bem e para o mal.

     Evidentemente, todos sofrem no mundo, mas dor nem todos conhecem, há sorte, azar, milagres, méritos, caos, não sei, mas nem todos conhecem dor. Cada um sofre a seu modo e não há não como medir isso, mas há uma longa distância entre não se conseguir tudo que quer, quando quer e como quer, e passar fome. Há uma separação assustadora entre sofrer um relacionamento rompido, um emprego perdido, e um abuso, uma violência física ou psicológica irreparável, uma morte, uma doença séria. Escalas cosmológicas medem a diferença entre não conseguir algo e não conseguir nada. E isso, meu amigo, isso é dor.

     A dor é um ser que nos devora por dentro, causando um buraco não localizado. É algo na pele e também nas entranhas, mas que aos poucos alcança o coração.

     A dor sentida e consumida muitas vezes prenuncia a morte, seja esta social, psicológica ou física. Quem sente dor precisa de ajuda e muitas vezes não irá solicitá-la, porque a dor só é compreendida por quem a conhece. É preciso compaixão para isso e a maioria das pessoas não sabe este sentimento.
 
     Quando uma pessoa sofre o mal, ela precisa comentá-lo diversas vezes, o mal precisa ser exposto, para ser compreendido, para que a dor seja compreendida e não julgada. Para que as pessoas possam ser ajudadas, resgatadas e amparadas. Não discutir o mal é uma omissão, é consentimento, é desrespeito, é agressão. Não permitir que uma pessoa que vive o mal em muitas faces, que mora na dor, é um egoísmo muito grande. É egoísta estar numa posição favorável e melhor, e apontar as dificuldades de lidar com tanta lama e escuridão, como apenas pessimismo. Não falar sobre o mal é ditar a quem o vive que se resigne, que se cale, que aceite, se afunde e morra aos poucos, sujeito ainda a ser julgado por não lutar, não pedir ajuda, não se esforçar.

     Agora em Janeiro fará 7 anos da morte do meu pai. Meu pai faleceu com câncer, após 6 meses de sua descoberta. Foram meses de quimioterapia, cirurgia, internações e muita dor. Emagreceu até não ser reconhecido por ele mesmo, parou de comer, se despediu de nós e da vida com doçura e amor, como se isso fosse possível. Esta foi a maior dor que eu já conheci. Dor. Dor.

     Lembro que mudei minha foto de perfil do facebook para uma imagem preta escrito “Luto”, como uma forma de expor minha dor e buscar abrigo em amigos, mesmo sabendo que dor não acaba assim. Um amigo me chamou para conversar e pediu que eu retirasse isso do facebook porque eu estaria mostrando minha dor aos outros, que eu fosse mais alegre, que eu tentasse superar e falar de coisas boas. Compaixão é qualidade de quem conhece dor. Eu havia perdido meu pai e à minha volta, as pessoas não gostavam que eu comentasse, para evitar que eu chorasse. Alguns meses depois eu já devia ter superado e todos já agiam normalmente, brincando e pedindo claramente que eu não falasse sobre isso. Elas superaram. Elas não viveram a dor.

    Não foi a morte do meu pai o que mais doeu. Assistir meu pai aceitar sua partida foi a maior dor que conheci, mas a dor é companheira ativa na minha vida. Ela muda cara, roupas, canta músicas diferentes, mas está sempre aqui, sendo presente em diversas formas, a dor decorrente do mal.

     Entendo quem não sofre o mal, que vive seus dias apenas com alegrias, entendo preferir dividir o belo ao feio. O mundo precisa do belo, de alegria, otimismo, cores, luz e amor. Faça-o, via-o, motive-o. Mas respeite a dor conhecida pelo mal. É preciso entender o mal para transformá-lo. É necessário compaixão para curar a dor.  

Os anos como benefício

     Mais de um ano sem escrever, sem nem mesmo entrar no blog.

     Só posso dizer que não tem sido fácil, mas ao reler meus posts antigos, opiniões e conceitos, senti um leve orgulho de mim.

     O tempo tem me dado mais perguntas que respostas, no entanto, sinto que cresci e amadureci como ser humano. Mal reconheço alguns textos. Continuo mudando e não me arrependo do que escrevi, apenas peço desculpas a quem feri com as palavras duras que já proferi, pelo mal que posso já ter causado.

     Em construção sempre.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Evoluímos?

   Há tempos que não escrevo... fases da vida.  Acho que nem sempre é fácil transformar em palavras aquilo que vivemos ou sentimos. Bem...

  Viajei este final de semana para Paraty, para relaxar um pouco depois de um período muito estressante de trabalho. Estava tomando café da manhã na pousada, olho pela janela e vejo um sagui na árvore. Eu fiz um escândalo e tive que sair pra ver. Era uma família, o pai deu um grito e o dono da pousada já veio com uma banana, a mãe e o filhote comeram e depois o pai. E todos os dias foram assim, eu acordava, ouvia o gritinho e já abria a janela do quarto para ver a família. Um dos dias, eu que os alimentei. Momento ímpar.

  Seu Pedro, dono da pousada, contou que no começo era só o machinho, se acostumou a comer banana na mão dele. Depois ele trouxe a fêmea e passando o tempo, perceberam ela ficar barrigudinha. Viu a mãe dar bronca no bebê quando ele quis comer banana também, ela o puxou para o peito, ainda era tempo de mamar. Hoje os três comem, mas o pai só pode comer depois do filhote, a mãe bate nele caso ele tente comer antes. 

  Ele nos contou que passam vários animais silvestres por ali, e um pássaro muito bonito e colorido sempre ficava ali, nas árvores da pousada. Seu Pedro começou a oferecer comida e após um tempo, o pássaro já comia na mão dele.  Um dia um menino da rua viu, no outro dia ofereceu comida, o pássaro veio e o menino o matou.

   Seu Pedro contou várias histórias, de grupos capturando micos leões, pássaros...

  Ao voltar de viagem fui me informar das notícias, lá a internet não era boa, e noto um alvoroço sobre a crise migratória síria, fui checar. Impossível não chorar com as imagens. Chorei muito. E neste momento lembrei da pousada, dos saguis. Não é natural isto. O ser humano perdeu seu lado animal.

   Estudamos, conquistamos e no decorrer da nossa evolução, deixamos de ser animais?

   Lembro de um vídeo, onde uma onça (ou outro felino parecido) mata um macaco para se alimentar e quando vai comer, nota um filhote nas suas costas, bem pequeno. A onça fica uns minutos sem saber o que fazer, pega o filhote com muito cuidado e sobe na árvore com ele, tentando cuidar, aconchegar. Isto é o mundo animal. Mata-se para comer, preserva-se a natureza, cuida-se de filhotes, sejam seus ou não.

   Recordo também da história de uma senhora que oferecia comida para cachorros de rua e um deles que comia só um pouco, fechava a sacola de comida com a boca e carregava a comida. Certo dia a mulher seguia o cachorro e descobriu que ele levava a comida para os irmãos de coração. A família dele tinha um ferro velho e passava muita necessidade, às vezes não tinha comida para dar aos animais que viviam soltos pelo quintal. O cachorro então chegava e soltava a sacola com comida para os outros cachorros, gatos e galinhas no quintal. É de se admirar? Não. É de se emocionar!

   Que momento que vivemos onde não temos mais isto? É isto a evolução, será isto a seleção natural? Sobrevivem os mais espertos, mais poderosos. Os leões matam filhotes de outros machos com intuito de ter seus próprios, isto mostra o egoísmo no reino animal, mas com nossa capacidade intelectual, matar ou deixar morrer, hoje, não seria estúpido, antinatural? Ou não? Seria isto o novo “disseminar seus genes”? É possível que isto seja o caminho da evolução, as disputas se modernizando, as brigas de território modernas, os problemas modernos. É possível que isto seja o novo natural.

   Infelizmente ou felizmente, não consigo aceitar isto. Costumo falar aos meus alunos que eu vivo numa sociedade. Sei que algumas pessoas me acham boba, mas eu gosto deste lado que considero animal em mim.

   Eu ainda me surpreendo quando vejo pessoas desejarem ter filhos e se recusarem a adotar, com a ideia de que uma pessoa que mora nas ruas não merece ajuda porque está bêbada, com a cultura da ostentação.

   Eu achei que não ia suportar ver a imagem da criança, mas olhei mesmo assim. Dói, mas é o tipo de dor que devemos sentir e não negar que existe. E me surpreendi mais uma vez com o ser humano. 

   Evoluímos?






quarta-feira, 29 de abril de 2015

Lição de Vida

   Algumas experiências nos mudam para sempre! Coleciono algumas, mas ver meu pai ir embora foi a mais marcante!

   Os meses passando, as quimios, crises, ele emagrecendo e perdendo suas roupas, minha revolta, minhas brigas com Deus, minha tese de doutorado neste meio tempo, as crises da minha mãe, as internações e a aceitação...

   Eu mudei, não há como não mudar... eu realmente aprendi a amar e cuidar, aprendi o real valor da vida e me desapeguei de coisas. Eu e Deus fizemos as pazes, ele me perdoou (espero!).


   E uma lição eu carrego comigo, sempre em meus pensamentos, quando algo me aflige, me tira do sério, eu acho que não vou desapegar da raiva, do medo, do amor, eu lembro: meu pai teve que abrir mão da nossa companhia, ele se despediu da vida, pacificamente, tranquilamente, nada deve ser mais difícil do que isto.

   Aprendi o que é amor, mas junto com isto, há uma ferida que embora escondida, nunca cicatriza.
É a vida!










sábado, 13 de julho de 2013

Saudades do meu pai

Existem feridas que não cicatrizam... perder alguém é isto! É aquela dor latente, interna, profunda e constante. Você segue vivendo, trabalhando, procurando a felicidade, mas existe aquela dor de saudade que nunca passa. Tem dias que eu me lembro apenas com carinho e penso como meu pai pode estar hoje. E tem dias que sofro por não poder vê-lo, nem abraça-lo, nem ouvir sua voz... Já me peguei chorando ao assistir aos Simpsons, vendo a Lisa e o Homer. Tudo lembra e tudo dá saudade! Eu choro vendo o final de Jurassic Park, por causa da música. Como lembra meu pai, ele adora este filme! Sempre que tenho um dia gostoso com Tárcio, eu falo pra ele como queria que meu pai o tivesse conhecido! Queria que ele tivesse conhecido Lily e os filhos que vou ter! Queria que ele me visse dirigindo! Só ele sabia que eu tava tirando carta, e me deixou dirigir seu carro escondido! Mas não me viu conquistar meu carro! Ele fez falta! Toda vez que faço uma curva fechada lembro dele, que se sentia um Ayrton Senna nestas curvas! Meu herói que me salvava dos insetos gigantes (Como insetos são gigantes, né?!) e sempre vinha sorrindo perguntando onde estava o pterodáctilo. O café delicioso, a melancia geladinha! É tanta coisa pra sentir falta, tantos momentos! Reuni alguns neste vídeo... e esta música me faz chorar porque a letra é linda... eu sempre vou dormir e peço pra sonhar com meu pai. Queria ter notícias... só queria ter notícias...



segunda-feira, 1 de abril de 2013

Legalização do aborto


Eu sou contra o aborto! Em número, gênero e grau!

Vamos ponto a ponto.

- Não acho que é um simples problema de saúde pública. Será caro ao estado arcar com despesas de aborto. Acredito que o principal público disto serão meninas adolescentes, irresponsáveis e mimadas. Sejam ricas, pobres, estudadas ou não. Já presenciei adolescentes engravidando em todas as classes sociais e com diversos graus de conhecimento. Se o aborto fosse permitido, conheço pessoas que já teriam feito 2 ou 3.

- Não acho que o feto é uma parte do corpo da mulher e por isto ela tem direito de continuar com a gravidez ou não. O embrião não é uma célula somente da mãe, foi uma combinação que o produziu, ou seja, ela é dona de metade, e assim, ela não possui este direito, mesmo sendo a “hospedeira”, como um jornalista citou. Eu também já presenciei um homem sofrer muito ao saber que sua namorada tinha abortado. Ele queria a criança, ele já o chamava de filho, sofreu, chorou e não teve participação nesta decisão.

- Não acho que todos têm direito de fazer o que querem. Isto não é terra sem Lei, ou então vamos permitir tudo e cada um que faça conforme sua consciência. Vamos permitir assassinato, roubo e tantos outros atos que chamamos de crime.

- Não concordo com a discussão sobre quando existe vida, se aborto é assassinato ou não. É, pronto. Se podemos ouvir o coração desta “célula” batendo, francamente, negar que isto é uma vida é simplesmente absurdo. Comemora-se encontrar bactérias, moléculas de água congelada fora da Terra, bradando “Encontramos vida!”, e um coração batendo é só um músculo pulsando. Só isto?! Se vamos usar critérios científicos, sejamos imparciais, então não existe vida fora da Terra e a menos que vejamos algum serzinho verde em Marte, não podemos mudar de opinião.

- Não concordo com a frase: Se você é contra o aborto, não o faça! Posso repetir os mesmos argumentos sobre o homicídio, se você é contra matar, não mate. O direito de ir e vir não pode ferir o direito do outro.

- Minha opinião não é religiosa. Apenas acredito que somos responsáveis por nossas ações. E aqueles que não são, devem responder por elas.

- Não contesto o aborto em caso de anencéfalos, estupro ou risco de vida para a mãe.

Esta discussão é longa e complicada, sei que existem crianças abandonadas, assassinadas, mulheres que morrem devido a aborto mal feito (em casa ou lugares clandestinos), mas não acredito que legalizar um crime pra evitar outro seja a resposta.


terça-feira, 10 de julho de 2012

Preguiça X Falta de Educação


Tem coisas que só por Deus!

Eu não me conformo em ver as pessoas deixarem os carrinhos de supermercado em qualquer lugar, na frente dos carros, ao lado dos pilares. É uma preguiça de deixar no lugar certo... uma preguiça de andar 10, 20 metros. É absurdo!

Hoje, eu estava ligando meu carro, ao lado, um homem guardava suas compras, terminou  e levou o carrinho até a frente do meu carro, sem ao menos se preocupar se eu estava olhando. Deixou lá, simples assim. Eu saí do carro e reclamei, e embora ele tenha retirado da minha frente, deixou o carrinho no meio da vaga ao lado.

Na Alemanha, os carrinhos são presos por correntes. Para retirar um carrinho, é preciso depositar 1 euro, para soltar a corrente, e  para recuperar sua moeda, é necessário devolver o carrinho ao lugar certo.

Aqui, isto geraria tanta reclamação ao supermercado que seria inviável! Imagino que seria mais econômico aos supermercados, menos um funcionário andando para lá e a para cá, procurando carrinhos e devolvendo aos lugares.

Veja a história das sacolas plásticas! As pessoas são preguiçosas, desorganizadas, inventam desculpas e confusões nos caixas. Esta mania de exigir tudo. Na Europa também se paga pelas sacolas, as pessoas se acostumaram a levar suas compras em caixas, a levarem suas sacolas. Não que isto resolva todos os problemas, mas façamos nossa parte! Ainda acho que isto se resolveria com sacolas de papel, como era antes.

Volto a dizer: pessoas mimadas!